Mostrar mensagens com a etiqueta ANOS ESPECIAIS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ANOS ESPECIAIS. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Poema à boca fechada


José Saramago 1922-2010


Poema à boca fechada

"Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo."


José Saramago

domingo, 4 de janeiro de 2009

2009 ano europeu da inovação e da criatividade


Imaginar - Criar - Inovar
A criatividade conduz à inovação e é um factor chave para o desenvolvimento pessoal, ocupacional, empreendedor, de competências sociais e para o bem estar dos indivíduos na sociedade.
O Ano Europeu da Inovação e da Criatividade é uma iniciativa da Comissão Europeia.

2009 ANO INTERNACIONAL DA ASTRONOMIA


terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

ANO VIEIRINO




Comemoram-se este ano os 400 anos do nascimento daquele que foi um dos maiores escritores da lusofonia e cuja prosa marcou definitivamente a moderna língua portuguesa. Não se adivinham grandes comemorações à volta da data, o que é pena, pois seria uma excelente a oportunidade de dar a conhecer às gerações mais jovens um dos seus mais notáveis antepassados, e demonstrar como a sua genialidade de quase quatro séculos se mantém inapelavelmente actual.



QUANDO TUDO ACONTECEU...
- 1608: A 6 de Fevereiro, nasce em Lisboa António Vieira.

- 1614: Aos 6 anos parte para o Brasil, com família; seu pai fora nomeado escrivão da Relação na Baía.
- 1623: Aluno do Colégio dos Jesuítas na Baía, sente vocação religiosa.
– 1624: Os holandeses ocupam a cidade; os jesuítas, com Vieira, refugiam-se numa aldeia do sertão.
– 1633: Prega pela primeira vez.
– 1635: É ordenado sacerdote, é Mestre em Artes e exerce a função de pregador.
- 1638: Pronuncia nos anos seguintes alguns dos seus mais notáveis Sermões.
– 1641: Parte para Portugal na embaixada de fidelidade ao novo rei; é preso em Peniche no desembarque; torna-se amigo e confidente de D. João IV.
– 1642: Prega na Capela Real; publica um sermão avulso.
– 1643: Na "Proposta a El-Rei D. João IV "declara-se favorável aos cristãos novos e apresenta um plano de recuperação económica.
– 1644: Nomeado pregador régio.
– 1646: Inicia actividade diplomática indo à Holanda.
– 1647: Vai a França e fala com Mazarino.
– 1648: Emite um parecer sobre a compra de Pernambuco aos holandeses; defende a criação da província do Alentejo.
– 1649: É ameaçado de expulsão da Ordem dos Jesuítas, mas D. João IV opõe-se.
– 1650: Vai a Roma, para contratar o casamento de D. Teodósio.
– 1652: Parte para o Brasil como missionário no Maranhão.
– 1654: Sermão de Santo António aos peixes; embarca para Lisboa a fim de obter novas leis favoráveis aos índios.
- 1655: Prega na capital, entre outros, o Sermão da Sexagésima; regressa ao Maranhão com as novas leis.
– 1659: Escreve Esperanças de Portugal - V Império do mundo.
– 1661: É expulso, com os outros jesuítas, do Maranhão, pelos colonos.
– 1662: Golpe palaciano que entrega o governo a D. Afonso VI; desterro no Porto.
– 1663: Desterro para Coimbra; depõe no Santo Ofício sobre a sua obra Esperanças de Portugal.
– 1664: Escreve a História do Futuro; adoece gravemente.
– 1665: É preso pela Inquisição, depois mantido em custódia.
– 1666: Entrega a sua defesa ao Tribunal; é interrogado inúmeras vezes.
– 1667: É lida a sentença que o priva da liberdade de pregar; D. Afonso VI é afastado do trono.
– 1668: É mantido em custódia em Lisboa; pazes com Castela; é amnistiado, mas impedido de falar ou escrever sobre certas matérias.
- 1669 - Chega a Roma, prega vários Sermões que lhe dão grande notoriedade na Corte Pontifícia e na da Rainha Cristina; combate os métodos da Inquisição em Portugal; defende novamente os cristãos novos.
– 1675: Breve do Papa que louva Vieira e o isenta da Inquisição; regressa a Lisboa.
– 1679: Sai o primeiro volume dos Sermões; recusa o convite da Rainha Cristina para seu confessor.
– 1681: Volta à Baía e aos trabalhos de evangelização.
– 1683: Intervém activamente na defesa de seu irmão, Bernardo.
– 1688: É nomeado Visitador Geral dos Jesuítas no Brasil.
– 1691: Resigna ao cargo por força da idade e da falta de saúde.
– 1697: Morre na Baía, a 18 de Julho, com 89 anos.

Senhor de uma poderosa riqueza humana, moral e literária, Padre António Vieira aproxima-se de Fernando Pessoa pela sua imaginação verbal e pelo seu estilo de pensar.


Fernando Pessoa ter-lhe-à mesmo chamado "seu mestre
".